O que é a filosofia?

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FILOSOFIA

Sempre nos perguntamos para que serve a filosofia? Mas antes de procurarmos responder a essa questão, deveríamos nos perguntar que tipo de conhecimento é a filosofia? Em primeiro lugar, devemos ter em mente que a filosofia é um tipo de conhecimento bem distinto de muitos outros conhecimentos. Só para citar um exemplo, os mitos eram tidos como verdades absolutas e não podiam ser questionados. Porém a filosofia vai de encontro ao modo de conhecimento mítico. Nesse sentido, podemos começar dizendo que ela se distingue dos demais já na sua definição.

Para quem não se lembra, ela é formada por duas palavras gregas philos e sofós que querem dizer amor, amizade e sabedoria, respectivamente. Daí, podemos tirar que a filosofia é um amor à sabedoria ou uma amizade pela sabedoria. O filósofo é aquele que simpatiza com a sabedoria e vai ao seu encontro. Guardemos essa informação. Mas o que significa dizer que o filósofo está sempre buscando a sabedoria? Devemos então descobrir o que é essa sabedoria. Para tanto, temos que dizer, em primeiro lugar, que há uma diferença entre sabedoria e saber.

Saber significa a posse de algum conhecimento e isso se dá através da colocação de perguntas e respostas. Quando encontramos soluções para os problemas propostos, encontramos o saber sobre aquilo que foi nossa investigação. A sabedoria é diferente. Ela requer que tenhamos um espírito indagador, ou seja, que sejamos capazes de criar problemas, de criar perguntas e não necessariamente encontrar as respostas para elas. O espírito indagador que a filosofia requer não nos garante encontrar as respostas para todas as coisas, para todos os problemas que levantamos. Com isso, já podemos dizer que ela é um conhecimento especulativo da realidade e de todas as coisas. Na nossa comparação, falamos que os mitos eram verdadeiros, mas não dissemos que uma de suas funções era explicar como surgem as coisas, por exemplo, inclusive as coisas da realidade. A filosofia não se preocupa em ter as respostas, mas busca sempre encontrá-las. Ela pensa sobre todas as coisas e rompe com a sabedoria mítica ao indagar sobre o que é a realidade, ao buscar o conhecimento do mundo em sua natureza última, por exemplo. Cabe aqui uma importante diferença entre o sábio e o filósofo: o sábio era aquele que detinha o saber e o filósofo, como pudemos entender, é aquele que busca a sabedoria.

A filosofia nos indica caminhos a percorrer para que cheguemos a uma solução. Ao contrário dos mitos e de outras formas de conhecimento, ela não nos dá respostas prontas e acabadas. Talvez resida aí o fato de ela ser considerada uma disciplina difícil. Mas se pensarmos bem reside aí também o fato de ela ter o poder fazer com que, nós do senso comum, enxerguemos as coisas de um novo modo: com ela, temos um olhar muito mais crítico de tudo o que se encontra a nossa volta. Com essa visão mais crítica, tendemos à libertação das amarras ideológicas que nos são impostas, pois ela possibilita um livre pensar sobre todas as coisas. Mas é importante destacar que não podemos sair por aí levantando problemas sem nenhum embasamento. Nesse sentido, ela se torna um conhecimento fundamentado sobre todas as coisas.

Agora entendemos porque a filosofia é um amor pela sabedoria, porque a sabedoria não nos deixa com apenas uma visão das coisas, mas nos dá uma visão ampla e, muitas vezes, crítica da realidade. Mas é preciso mais do que palavras para entendermos a filosofia, é preciso fazer filosofia para que tenhamos uma melhor compreensão do que ela seja. Nesse sentido, podemos perguntar: como, então, fazer filosofia? A resposta vem com uma idéia de Platão onde a primeira virtude do filósofo seria a admiração. Para ele, através da admiração é que podemos chegar à filosofia e ao filosofar.

Vemos aqui que Platão instaura uma atitude filosófica. Para se filosofar, segundo Platão, temos que ter a atitude de nos admirarmos com alguma coisa. A palavra grega para essa admiração é thauma e ela que nos abre à capacidade de problematizar. Há um filósofo alemão do século XVIII chamado Kant que diz que não se pode aprender filosofia, só se pode aprender a filosofar. Vemos nas palavras de Kant o que acabamos de dizer: para se aprender filosofia, devemos aprender a filosofar e aprender a filosofar significa ter uma série de atitudes, dentre elas a admiração por algo. Ela é instituinte, na medida em que questiona o que já está instituído.

Nesse sentido, vemos que a filosofia não está longe de nós, mas bem mais perto do que imaginávamos. Ela se preocupa com coisas do nosso cotidiano que para pessoas do senso comum são abstrações. As questões filosóficas são muito concretas, porém não conseguimos enxergá-las por estarmos presos aos padrões já estabelecidos.

Com todas essas informações acerca da filosofia, podemos agora nos perguntar: qual será o processo que nos levará ao filosofar? Bem, devemos primeiro entender que filosofia se difere de filosofia de vida. Todos nós temos indagações diárias sobre quaisquer coisas que costumamos fazer. Todavia essas indagações não são propriamente filosóficas porque é um “filosofar” espontâneo do homem do senso comum. Quando esse homem tem o bom senso em escolher deliberadamente e com certa organização sobre dúvidas advindas de problemas comuns do cotidiano é que podemos dizer que ele está fazendo sua filosofia de vida. Entretanto o filósofo é um especialista e não pensa somente em questões como morar em casa ou apartamento, cujo interesse atinge a qualquer um.

O livro Para filosofar: introdução e história da filosofia do professor da Universidade Gama Filho Severo Hryniewicz coloca uma metáfora para falar da especificidade da filosofia que nos cabe. Ele diz que há “montanhas” ou “regiões” do conhecimento onde habitam pessoas e essas pessoas, uma vez ou outra, trocam visitas, mas que cada uma habita sua montanha. Isso quer dizer que cada especialista é especialista na sua área e que, vez ou outra, conversam entre si, trazendo certa interação entre os saberes. Sabendo que cada região do saber tem suas especificidades, vejamos então quais são as da filosofia.

A filosofia, propriamente dita, surge no momento em que o pensar é posto como objeto, ou seja, quando o pensar em coisas comuns passa a ser uma reflexão sobre o próprio pensamento fundante das indagações do cotidiano. Refletir significa retomar ao próprio pensamento, voltarmos para nós mesmos e colocarmos em questão aquilo que já conhecemos. Esse é o primeiro passo para se filosofar e, “segundo o professor Dermeval Saviani, a reflexão filosófica é radical, rigorosa e de conjunto”. Vejamos o que seria isso.

  • Radical: a palavra radical, para nós, significa “fundamento, base”. No sentido corriqueiro, ela quer dizer que algo é intransigente. Na filosofia, a usamos como sendo o fundamento, pois ela busca explicitar os conceitos fundamentais usados em todos os campos do pensar e do agir;
  • Rigorosa: o filósofo deve dispor de um método para fundamentar sua filosofia e esse método deve ser claramente explicitado, para que ele possa agir com rigor, garantindo coerência e o exercício da crítica. Ele precisa dessa especificidade porque tudo que ele diz deve ser muito bem fundamentado por argumentos;
  • De conjunto: isso significa dizer que a filosofia é globalizante. As ciências usam recortes da realidade para dizer suas verdades; já a filosofia busca examinar os problemas de modo a relacionar os diversos aspectos da ação humana, que nunca são separados entre si. As ciências são particulares, no sentido de que elas se utilizam dos recortes. Nesse sentido, podemos dizer que a filosofia busca o todo, a totalidade.

Assim, vimos que a filosofia não é só mais uma disciplina que temos que estudar, mas que ela pode ser muito útil para que possamos entender as diversas relações existentes no mundo e na natureza, pois o objeto de estudo da filosofia não é como o objeto de estudo das ciências. As ciências têm vários objetos de estudo, mas se ocupam apenas com os seus: a química se ocupa com os processos químicos, a biologia se ocupa com processos biológicos e assim por diante, enquanto que à filosofia nada escapa.

Escrito pelo aluno: Vinícius

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